domingo, 9 de agosto de 2009

- professor ;

Vinte anos e pela primeira vez eu não acordo na ponta dos pés pra buscar um embrulho escondido no guarda-roupa, que geralmente seria um tenis, agasalho novo ou celular, minha mãe nunca foi das mais criativas. Nos primeiros dez, eu gostava de correr e te abraçar muito, fazer dengo extremo e dizer as coisas bonitinhas que dona Rita mandava, já os anos seguintes foram aqueles em que eu teimava me fazer pequena diante do seu amor pelo time de handball. É, eu gosto de culpar os seus atletas por qualquer motivo de terapia necessária hoje em dia, e você sabe disso. Cresci resmungando ciumes e me fazendo de vitima para com seu tempo escasso comigo, achava muito mais fácil culpar assim meus piercings e cabelo que não te agradavam. Mas me deixa fazer diferente, hoje.
Eu sempre achei sublime sua boa vontade com as coisas e pessoas que você se envolvia, um cara determinado e focado em tudo que era importante para seu desenvolvimento pessoal e profissional. Colocando uma paixão intensa em cada ato, e sempre tendo consigo que sua satisfação e o bem estar dos que estão do seu lado é o resultado final que importa. Humildade poderia ser seu sobrenome, e responsabilidade a melhor herança que você me deixou. Tenho em ti um espelho de valores incontáveis que me transformam cada dia numa pessoa melhor que só pensa em corresponder às suas expectativas quanto ao meu crescimento. Você é meu herói, mas isso é cliché de se dizer. Meu peito estufa mesmo ao saber que é o herói de mais da metade das pessoas que conhecemos, e com toda razão, afinal, cá pra nos, você é o cara !
É, hoje é dia dos pais e eu não consegui me prender muito em coisas bonitas que possam te tocar de verdade, mas é que antes de pai, você é o homem da minha vida, o único ! Mesmo que eu não demonstre constantemente, guardo em mim tremendo orgulho de ser a Camila filha do Celso, e não só por conta dos olhos verdes que você me deu. E que venham mais vinte anos de brigas, tenis e agasalhos, porque não importa a distancia que eu corra, sempre vai ser pra estar mais perto de você em forma de orgulho e agradecimento, papai querido !

terça-feira, 21 de julho de 2009

- afabilidade ;

Todo dia eu tenho uma história de amor pra contar, e conto melhor se for regada a blues e coração partido. Mas me deixe confessar que a maior das histórias de amor que eu vivi em experientes vinte anos, e sinta a ironia da infantilidade dessa frase com um risinho confesso de ' não sei nada dessa vida ainda, e talvez nem venha a saber ', foi uma tal chamada amizade. Caso de amor que acontece despropositalmente, por qualquer ligação oportuna do destino que junta dois corpos ligados pela química do companheirismo que consola qualquer peito apertado por dor inominável. Quem aparece na sua casa com brigadeiro num dia cinza, e não vai ligar pro seu penteado desregular combinando com o pijama dor de cutuvelo às três da tarde, ou vai te chamar pra um sorvete sem pretensão no meio do tédio de domingo ensolarado. Pode te ligar a qualquer hora do dia, e ênfase bem clara e destacada ao qualquer, pois amigos parecem ter súbita preferência aos horários inoportunos. Sim, amigos te viram com o rosto inchado de chorar, ou de dormir, ou de tirar os cisos e não poder sair de casa pra ver mais ninguém, ou de tomar bofetadas por estar defendendo alguma causa inesquecivel que vocês nem mais se lembram, naquele ultimo porre. assistiram seus pais brigando, ou mimando você, ou qualquer outra coisa que você sempre vai achar que pais não devem fazer na frente dos seus amigos, mas como que por contrato telepático, sempre fazem e seus amigos, bons amigos esses, veja bem, sempre acham graça no canto da sala. Amigos reclamam da distancia, mas aparecem no seu portão quando você pede, e quando você não pede também. Passam madrugadas a fio ( fingindo que estão ) bem acordados pra escutar suas lamurias e contar duas besteiras a fim de ver um sorriso no seu rosto que te traga o mínimo de disposição pra deixar a tpm pra amanhã e caçar caminho da cama. Diz que você ta gorda, que seu cabelo novo não esta legal, que sua letra é feia e sua banda preferida é um lixo, nunca vai gostar completamente da pessoa pela qual você se apaixonar e te defender com unhas e dentes quando esse namorico acabar, mesmo que a culpa tenha sido sua seu amigo sabe que você quer ouvir o contrario, e assim ele faz. É, ele sabe fazer da explosão sentimental uma piada gostosa e contraditoria, mas você sorri, e pra ele é só o que importa. Seu amigo tem o abraço mais gostoso do mundo junto do sorriso mais bonito, entende as estrelas nos seus olhos e parece que sente de longe suas borboletas no estômago. Sabe quando é hora de falar e o que falar, mas também domina a arte do silencio mais confortador. Seu amigo é a pessoa que se um dia sair da sua vida leva junto um pedaço da sua alma e uma parte do seu coração. E pra essa madrugada eu não precisei de blues e coração partido, só de meia dúzia dos melhores amigos que alguém poderia ter.

domingo, 5 de julho de 2009

- gosto de algodão ;

chega a arder,
e se isso ainda assim não for amor
eu abro mão das palavras e passo a viver sem função.

terça-feira, 30 de junho de 2009

- dois palmos e muito chão ;

Você apareceu quando mais nada fazia sentido. Quando eu fugia sem rumo pra lugar nenhum acabei me encontrando no teu mundo as avessas e foi entusiasmo imediato o teu sorriso que era cura pra qualquer mal. Mas que deslealdade feroz foi destruir tudo de mais bonito que até então eu havia sentido, o maior calor que arde em peito com brandura. Agora eu me calo, me afasto, o nó eu desato e te deixo em espaço aberto entregue ao mundo que pode engolir e despistar o que foi feito ate aqui. Mas eu espero, que a candura um dia retorne, e traga com ela a felicidade e o bem estar, coisas que se perderam na falta de compreensão que renegamos. É, que o tempo que se faz silencio mostre que estamos prontas a certa concessão, que a saudade que queima e se alastra traga alguma reação significativa à pureza do que fomos no inicio. Eu vou ser direta em dizer que eu amo você, muito! Eu preciso de você, preciso fazer você feliz, pra que eu tenha a menor possibilidade de ser feliz junto. E plagiando, assim, um filme desses, eu desaguo aqui a minha esperança de que o tempo se encarregue de trazer de volta o que nunca vai deixar de ser meu.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

- melhor do mundo ;

Nada original escrever sobre frustrações amorosas enquanto olho a fumacinha do chocolate quente perfumar a madrugada. Duas tosses e o teclado fervilhando boa dúzia de coisas que eu poderia dizer pra quem não quer escutar são os únicos sons que ainda me brindam as duas da manhã. Pois bem, eu já me rendi demais às coisas clichês e o vazio do peito fica pra uma outra noite, ainda vão ser muitas sem te ver. Tenho um bom bocado de frustrações pessoais pra desaguar em caracteres que vão ficar aí, pra vez ou outra eu me lembrar das coisas que algum dia eu deixei de guardar pra mim. Tenho essa convicção, dias ruins rendem melhores palavras, é ! Quando em coração meu festeja esperança, pouca vontade tenho e me perco em mais sorrisos do que em boas divagações. Mas dias como esses, ah, dias como esses sempre transbordam inspirações. É que o mundo é assim mesmo, você nunca consegue ser tudo que pode nem ter tudo o que quer. Passam - se os anos e um acumulativo de planos se transformam, ou se aprimoram, depende se se encontram ou se perdem nos desejos. Quer saber ? Eu me perdi.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

- Y ;

Foi sem querer que eu me apaixonei por você. Pelo seu jeitinho calado, quieto, que sorri vezenquando de coisas sem sentindo. Pelo seu cabelo moderno e colorido que faz charme junto com seu modo torto de andar. Foi bem rápido, também, que eu me peguei te desejando todos os dias. Sem parar, sem cansar, sem questionar. Tão intenso foi cada minuto em braço teu, que me fazia cosquinhas e me rendia um soninho serelepe quando entrelaçar de dedos fazia nós no meu cabelo. Era paz sentir sua barriga subir e descer, respirando e reclamando. Seus carinhos mordiscavam o fim do dia frio no portão. Mas agora tudo que eu tenho é um restinho do seu perfume na minha mão, nas pontinhas dos dedos que você fez força pra soltar. Eu senti quando fui secar uma lágrima besta, que insiste em sentir sua falta na véspera do feriado romântico. Pois que então corram os dias, que venha a minha estação preferida congelando o que com um pedido de desculpas entediado você jogou ao vento.


domingo, 7 de junho de 2009

- uma semana;

Ventou frio apagando o calor de um amor incondicional e a brisa refrescou minha memoria sobre as milhas que andarei de volta pro lugar onde manias se encontram com cheiro de mato e cidade pequena. Vou de peito apertado, pra buscar sorrisos apagados, que o tempo despistou. Vou torcendo pra que a distancia te conte o quanto é bom ter por perto alguém alem do cheiro de cigarros, cervejas e desejos.